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riscos_e_rabiscos

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Até Mais!

Ultimamente tenho tido conhecimento de imensas mortes aqui em redor. Da minha tia que tanto gostava, de pessoas conhecidas e de outras mais desconhecidas. Algumas dessas mortes têm-me perturbado de alguma maneira.

 

Um dia destes fui almoçar com o meu pessoal ao restaurante de um amigo do meu pai. Aí encontrei um homem que, mesmo rebuscando no baú das minhas memórias, não me lembrava dele. Talvez porque era muito miúda, talvez porque nunca o vi com olhos de ver. Mas ele conhecia-me bem.

 

Começámos a buscar palavras que nos levaram a outros tempo, a reviver momentos, a recordar histórias. Minhas, do meu irmão, do meu pai, do meu saudoso Tio Frade… E eu era a menina. A que ia ter com o pai quando vinha da escola. Aquela que o pai levava para a escola.

 

No sábado passado o R. – o homem - foi encontrado morto em casa. Fiquei muito sensibilizada com esta partida da vida. Tive pena. O R. perdeu-se nalguns caminhos da vida e, talvez por isso, o destino levou a melhor. O meu pai, algures na vida, deu-lhe a mão, assim como outros amigos. Mas é pena ver que, quando a barca de Caronte chega para nos transportar, não temos família na margem para nos dizer adeus, não temos família para nos lançar flores à água. Valem então os amigos, a nossa família do coração que escolhemos a dedo.

 

Até um dia R., e quando encontrares o tio Frade, manda-lhe um beijo aqui da “menina”.